quarta-feira, 20 de julho de 2016

Obrigada.

Jazia quando minha dor era súbita
Minha mente me empresta mais uma vez 
Uma curta memória
Que conta a minha triste história
O meu corpo ensanguentado
E a minha boca cheia de recardo

Jazia em mim a vida
Não, definitivamente não
Já estava morta
Antes dessa bala de revólver
Perfurar o meu peito
A vida em mim ja tinha se resumido
Com a perda do meu único filho

Tão curta memória
Pode mais uma vez me empresta
A face madura e séria
Desnuda de expressão 
Do meu menino

Não tive escolha se não
Abraça a morte
Como uma velha amiga
E poder rever com saudade
Retomar minha felicidade

Essa era minha sina
Agradecer
Aquele que me assassina
Obrigada

W. R. Borges

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